domingo, 15 de novembro de 2009

QG do VOZ



Sobre bases sólidas erguem-se paredes fortes. Nós acreditamos que o segredo de um trabalho forte está no alicerce e nos detalhes. Assim, concentramos energia na construção da nossa base, o estúdio do VOZ, onde pretendemos criar e compartilhar com todos aquilo em que acreditamos, e compreender, cada vez mais, o significado do trabalho que nos propomos a fazer.


Vamos fazer uma pequena série de postagens mostrando um pouco do "making off" dessa construção, as principais idéias que nos nortearam e também algumas das fotos mais escabrosas.


Abraço!!!




quarta-feira, 14 de outubro de 2009

FELIZ DIA DE HOJE



Quase todo mundo aproveita a virada do ano pra renovar seus projetos, rever tudo, fazer aquela retrospectiva. Em pleno outubro, nos bateu aquele clima de ano novo. Então esse pequeno post é pra subverter a regra e contar que acreditamos na mudança nesse instante, agora mesmo, no dia de hoje. Sem essa de esperar até o final do ano.


Ainda que hoje seja 15 de outubro (dia do professor), pense um momento: há poucos minutos atrás, “hoje” era o dia 14 de outubro (em nosso país é o dia nacional da pecuária, digamos que uma data não tão popular, e seguramente detestada pelas vacas).

Então pensamos que o “dia de hoje”, independente do nome que tenha, seria o dia ideal para mudar.


Sendo mais objetivo, o que dá pra adiantar sobre nossas mudanças no VOZ é que estamos gravando, ensaiando e compondo, com uma formação diferente, e de formas diferentes. Bastante coisa nova pela frente!


Acabamos de montar nosso estúdio, um espacito que construímos aqui em Sampa, para ensaiar e gravar, onde descansam nossas traquinagens tecnológicas e agitam-se nossos sonhos... e bueno, logo vamos colocando aqui mais detalhes pra vocês acompanharem e participarem conosco dessas novidades.


Há quem não goste de mudança fora de época, e há quem goste de mudança, mas prefere esperar um pouquinho. Tipo dieta na segunda-feira, de preferência começando na próxima. Então, já que a gente tá mudando agora mesmo, e não na próxima segunda, feliz “dia de hoje” pra toda gurizada. Quem quiser comentar, aproveite esse dia legal pra somar aquela energia!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

BAILE DE MÁSCARAS




Ficamos em segundo lugar no festival de Andradas/MG, com Girou Febril. Evento super bem organizado, público massa, foi ótimo. Foi nossa primeira vez na cidade, e eu espero que a gente possa logo voltar com o show completo do VOZ. O convite já aconteceu pela Neuza Marcondes, Gerente de Cultura do Município, e agora é trabalhar e acertar os pontos para que se concretize. Vai rolar!

A música vencedora foi “Cio”, do baiano Ito Moreno, uma canção sofisticada que nos lembrou Chico Buarque. A banda “Nota Promissória”, formada só por gurias, mandou um pop rock “de responsa”, numa performance impecável e contagiante, com “Baile de Máscaras” – e levou a Aclamação Popular. A guitarrista Natália, de 11 anos, fez muito cabeludo lá coçar a cabeça!

Foi uma ousadia do festival, uma abertura de estilo e mentalidade. A gente admirou inclusive pelo conteúdo das letras dessa banda juvenil. Nós curtimos e esse talento tem que ser estimulado mesmo. Parabéns e força gurias... nós temos uma música chamada “os atores” que trata - de uma forma diferente - do mesmo tema, mas ainda está no forno. Quando sair posto aqui!

Baile de Máscaras. Olha aí e depois me diz...

NOTA PROMISSÓRIA | BAILE DE MÁSCARAS [youtube]

“esperança comprada, lealdade vendida / caridade suspeita, honestidade fingida / os sorrisos são falsos, as palavras são frias / mentiras sinceras, amizades vazias... seja bem vindo ao nosso baile de máscaras...”

domingo, 17 de maio de 2009

GALERA DE VAZANTE




Imagina aí uma cidade pequenina, no interior de Minas Gerais, com umas grutas sensacionais. Adicione uma festa religiosa que atrai gente do Brasil todo e até do exterior, e um festival de música. Agora, o mais importante: tenta imaginar um povo carinhoso, gente bonita, amigos. Tá, multiplica. Essa é a galera de Vazante.

Quando a gente cometeu a “insanidade” de investir mais da metade do valor que seria o 1°prêmio do festival pra ir até lá tocar uma única música, arriscar tudo sem saber no que ia dar, nem imaginamos que poderia ter sido tão legal. O festival foi ótimo, o nível surpreendeu a gente. Acabamos levando o 1° prêmio, e ainda acabamos tendo que ficar mais um dia pra abrir o show da banda GR-3 numa arena lotada – o Poliesportivo – foi demais!

Só posso dizer uma coisa: pessoal que estava lá em Vazante já mora no nosso coração!

Abraço galera... quem teve lá e tá aqui, deixa um recado aí!

“prepare o seu coração... pras coisas que eu vou contar...”

- - - - - - -



A cada edição da Festa em Louvor a Nossa Senhora da Lapa mais e mais pessoas vem à Vazante para renovar sua fé e também participar das festividades.

Em 2009, a administração municipal trouxe três grandes shows para a programação social da festa: dia primeiro, Banda GR3 (com abertura do show feita pelo Grupo Voz, vencedor do 8 Festivaz), dia 2 Rick e Renner e dia 3 Marco e Mário.

O público compareceu em peso, lotando o estacionamento do Ginásio Poliesportivo de Vazante "Reni Soares da Cunha".


Fonte: Pref. Municipal de Vazante

sexta-feira, 8 de maio de 2009

INTEGRAIS & CAFEÍNA



Essa entrevista que estou linkando aqui no CaixaPreta foi feita pelo Diego Neves, e pra conferir o bate-papo original é só visitar o blog dele: "Integrais e Cafeína".

[Integrais & Cafeína] Quando e como foi o início do grupo, ainda aqui no RS? Vocês começaram como as bandas daqui, que tocam nos fins de semana nos pubs de Santa Maria?

[Rodrigo Londero] O VOZ começou diferente.

Nosso início foi bem underground. A primeira vez que tocamos fora da garagem foi em 1998, num lugar chamado “Cantina Deliciosa”, e era um pagodão. O repertório não era nada cult, incluía “dança da vassoura”, “segura o tchan” e por aí vai.

Passou aquele carnaval e preparamos um repertório diferenciado, com arranjos vocais e acústicos, e fomos pros barzinhos. Tocávamos no Absinto, Maccherone, Itaimbar, shoppings, shows na praça. Sem saber que já existia um grupo dos anos 80 com o mesmo nome, chamávamos “VivaVoz”.

A manha com os vocais nos abriu as portas no Coro de Câmara da UFSM, que era regido pela Zobeida Prestes. Nos “ligamos” no gênio dela, isso de ir a fundo, procurar perceber o que as músicas estavam comunicando, as entrelinhas, as dinâmicas.

Cantamos obras de Bach, Mendelssohn, Debussy, Janequin, Piazzolla, Rachmaninoff, entre outros. Em 1999, nos apresentamos no Chile, Bolívia, Peru, fomos a Machu Picchu, estivemos na Ilha de Urus, no meio do lago Titicaca, visitamos diversos santuários Incas. O Vinicius chegou a cantar na Patagônia. O grupo seguia, e com essas experiências, fomos despertando um lado mais místico.

Em 2002, montamos uma produtora clandestina com um amigo que tinha um equipamento de homestudio. Fissuramos estudando Fruityloops, Samplers, Vsti, fizemos uns 30 jingles, dublagens, trilhas, spots, locuções, e paramos.

Deixamos de lado os jingles, barzinhos, eu e o Gustavo saímos do coral. Houve um período cinzento e o grupo quase se desfez.

Em 2003, nos refugiamos novamente nos violões, tramando os acordes. O som estava diferente. Não sabíamos quais músicas iríamos fazer, mas tínhamos uma noção do que não queríamos. Foi aí que nasceu o VOZ.

A verdade é que eu e o Gustavo tínhamos 10, 12 anos quando começamos a tocar juntos. Nunca houve o papo “vamos montar uma banda”. Éramos nós e mais dois primos meus, o Vinicius entrou um pouco depois. Passamos boa parte da infância tirando música de ouvido, tocando nossa bateria toda feita de lata e papelão, era algo inocente e um tanto quanto nerd.

Nós não tivemos projetos paralelos aqui e ali. É raro encontrar grupos que tocam juntos há muitos anos. Hoje em dia, ninguém se aguenta muito tempo nas bandas - falta amor, persistência, e sobra ego, e, desse jeito, nada evolui. No meio de 2005, decidimos radicalizar, focar no grupo e pegar a estrada.

O VOZ era pra ser um quinteto, mas meus primos acabaram não seguindo conosco.


Preparamos um show autoral, gravamos demos, fizemos um material gráfico. Em Janeiro de 2006, apresentamos nosso show “Renovação, Revolução, Essência” em Santa Maria, no auditório da Cesma, e logo depois nos mudamos pra São Paulo, para começar do zero.

[I&C] Qual a primeira música composta pelo VOZ?

[RL] Dá pra considerar “Mira”, foi a primeira que teve a energia dos três na criação e arranjo.

[I&C] Como foi a chegada do VOZ na nova terra, quando buscavam fazer da música o trabalho de vocês?

[RL] A cidade é gigante e isso assusta um pouco. Nos primeiros dias, ficamos naquela burocracia de alugar apartamento. Com a grana curta, tivemos que optar entre geladeira ou internet rápida.

Em duas semanas, já estávamos conectados e correndo atrás.
Chegamos em fevereiro e só em maio estreiamos no Sesc Consolação, após muitas tentativas. São Paulo tem um circuito disputadíssimo, não é fácil entrar, então comemoramos.

O primeiro show foi trazendo os outros e a luta segue firme até hoje. Oito meses depois, compramos a geladeira.


[I&C] As dificuldades enfrentadas quando se deixa o interior do RS vão muito além do já clássico “leite-quente-que-dói-os-dente”. Qual foi a principal barreira que o grupo precisou superar ao seguir carreira longe de casa?

[RL] Foi termos que administrar tudo sozinhos no início. Tivemos que superar o fato de não termos um produtor, alguém pensando na parte de venda de shows, um técnico que conhecesse nosso som. Não sabíamos quanto cobrar, nosso mapa de palco e som continha erros, não tínhamos contatos.

Chegamos aqui com equipamentos e instrumentos amadores, sem um local nosso pra ensaiar. Hoje melhorou muito. Há uma batalha, diária e invisível, que é a construção das bases.

Nossa tática pra vencer essas dificuldades foi transformar o carinho que vem dos fãs em pressão pra trabalhar e evoluir. O VOZ não tem aquele tom popularesco apelativo, mas temos muitos fãs. E isso dá uma moral interna.

Há pessoas que viajam de longe pra ver o show. Nossos fãs são um diferencial, é um pessoal muito ligado, sensível, escreve em blogs, manda material pra rádio, participa conosco direto nos festivais. Manda e-mails, críticas, sugestões, sem frescura. Temos que “nos puxar” pra manter o nível com essa gurizada.

Quando a barreira é grande, vem a força de grupo. Isso inclui essa galera toda, essa energia chega somando e não é brincadeira, a gente aprendeu a respeitar e a valorizar muito.

[I&C] É mais do que evidente que o cenário da música no Brasil não é nada fácil, principalmente para quem não se entrega e evita fazer música puramente comercial. Vocês já sentiram vontade de, frente a tal dificuldade, deixar o sonho para trás, voltar para casa e seguir, quem sabe, outra carreira?

[RL] Não, nunca. Mesmo porque até agora só estamos crescendo, e a tendência é melhorar cada vez mais.

[I&C] E, por falar em carreira, a música é a única atividade exercida por vocês?

[RL] Sim, é a única, mas há bastante trabalho pra fazer. Tem a parte bem burocrática, registro de músicas, Ecad, OMB, contratos, escrever partituras. Também estudamos bastante a parte de estúdio, técnicas, o site é desenvolvido por nós mesmos, as imagens, e mais o lado artístico que exige bastante, desenvolvimento de projetos, arranjos, letras e músicas novas. E tem que cuidar das namoradas, isso sim que dá trabalho. (risos)

[I&C] Pelo o que pude constatar ao acompanhar o blog do grupo, “Mira” geralmente era a música escolhida para competir nos festivais pelo país. Vocês a consideram a sua “obra-prima”? Quantos festivais já foram conquistados com ela?

[RL] Não tem isso de obra-prima. “Mira” é uma música que cresceu nos festivais, pegou força. Ela tem um impacto, e a letra fala de uma revolução. O Michel Freidenson, um dos “tops” pianistas do Brasil, foi jurado no FAMPOP - Festival de Avaré/SP e nos disse : “templários, essa música de vocês nos empurrou contra a parede”.

Foi lá que o Clóvis Guerra, radialista e um dos organizadores, nos anunciou como Revelação de 2007 na Música Brasileira. Pra nós soou exagerado na hora, mas considere que já concorreram nesse festival Lenine, Zélia Duncan, Jorge Vercilo, Chico César, entre outros... acho que não havíamos percebido a dimensão do festival. Dá pra sentir o que significa essa conquista, “Mira” nos deu muito mais que prêmios.
“Vento Frio, Alma Quente” e “Girou, Febril” também são campeãs.

Ao todo, participamos de 20 Festivais e conquistamos 29 prêmios como Melhor Grupo, Melhor Intérprete, Melhor Arranjo, Melhor Música, Aclamação Popular, entre outros. Com ”Mira” conquistamos 16 troféus até agora.


[I&C] Composição é realmente um forte do VOZ. Que outros artistas foram (e são) influências nessa hora? E o que costumam ouvir na hora do “relax”?

[Vinicius Londero] Milton Nascimento, Zé Ramalho, Guilherme Arantes, Mercedes Sosa, Renato Russo, grupos vocais (14 Bis, Boca Livre, Roupa Nova, Trio Esperança, Os Cariocas, Demônios da Garoa, Take 6), os irmãos Ramil (Kleiton&Kledir e Vitor Ramil), bandas que abrem vocais como Beatles, Queen, Toto... Do samba à música clássica, são muitas as influências. Nas novas composições estamos trabalhando toques tribais, mesclando tempos em 6/8, bem inspirados nos índios do Pampa, com ritmos da Amazônia e do Nordeste. Além dos sons acústicos, estou testando um disparador de samplers e os guris estão experimentando novas sonoridades com sintetizadores controlados pelos violões. Ultimamente tenho ouvido no “relax” um CD gospel, “Accapella Hymns”, e músicas gaúchas, como as do César Oliveira e Rogério Mello, Os Fagundes. Um disco bem legal que conhecemos faz pouco tempo é “Satolep Sambatown”, do Vitor Ramil, com o Marcos Suzano. Os guris estão ouvindo bastante Almir Sater e também R&B, John Legend, sons que o Terra Preta passou pra nós.

[I&C] O Brasil inteiro pode conferir o trabalho de vocês na TV, quando participaram do Astros, programa do SBT. Foi uma surpresa para quem já ouvia. Inclusive eu, que não acompanhava o programa, assisti, torci e indiquei aos outros que acompanhassem, sempre repetindo “esses caras são daqui!”. Qual foi o impacto dessa participação na carreira de vocês?

[RL] Participar do Astros foi bom pra nós, gerou bons contatos, movimentação na internet, novos fãs. Em todos os shows e festivais que temos participado pelo Brasil, alguém reconhece: “Grupo Voz!” Até hoje as pessoas nos param na rua, direto. Marcou.

[I&C]
Na etapa classificatória do programa, os comentários foram os melhores possíveis por parte dos jurados. Já na final, ainda que tenham sido elogiados, não foram ditas mais do que algumas palavras, além do comentário “vazio” vindo do Lobão. Vocês acham que o trabalho de vocês, visivelmente superior a todos os outros apresentados naquela noite, foi pouco valorizado por uma banca que busca um som mais comercial?

[RL] Nós fomos bem valorizados, eles respeitaram o grupo. Na final, o Thomas deu parabéns por não seguirmos modismos, o Miranda ressaltou nossa atitude e a coragem de ir lá, mostrar a cara no horário nobre da TV. O Saccomani falou da nossa competência e deu um conselho, pra gente não se levar tão a sério. E o Lobão - mesmo não sendo o tipo de som que ele mais curte - ficou ali elogiando também. Não creio que tenha pesado essa questão de “ser ou não ser comercial”, até porque, no tipo de som que a gente faz, temos um excelente mercado pela frente, praticamente sem concorrência. A real é que “Mira” é uma música muito séria e acho que eles buscavam algo bem mais leve.

[I&C] Como eram os bastidores daquela competição? Como se relacionavam com os outros artistas e a produção do programa? Tinha como existir um clima de amizade entre quem buscava o prêmio?

[RL] O clima geral era tranquilo, há aquela fila, a galera vem de longe mesmo. E são muitas fases, alguns candidatos bem preocupados. No dia da final, ficamos na emissora quase o dia todo, entre ensaios, preparação, técnica, figurino, marcação, etc. O pessoal da produção super atencioso, fomos muito bem recebidos. Só com os jurados que nunca conversamos. Nos camarins, tivemos um relacionamento muito bom com os participantes, trocamos idéias com vários deles e também rolou muita música, fizemos uma versão de “Mantran” com o Rodrigo BeatBox. Encontramos os guris do Kiara seguido aqui em Sampa, e com o Terra Preta, nós começamos a compor um projeto juntos, rolou uma afinidade muito boa. Em breve deve sair novidade aí.


[I&C] Por fim, uma pergunta que já fiz algumas vezes, mas que com certeza muitos leitores esperam uma resposta: há alguma previsão de uma apresentação aqui na terra natal de vocês ainda em 2009?

[RL] Não, cara, infelizmente ainda não. Mas estamos muito a fim, vamos ver se conseguimos até o final do ano marcar um show aí no sul.

- - - - -

se você leu tudo, saiba que está fora das estatíscas internéticas - e isso é bom. Aproveita e deixa um comentário aí!

quinta-feira, 10 de julho de 2008

VOZ NO ASTROS


Gurizada!!! Olha que massa: queremos INTIMAR todo mundo pra assistir e torcer com a gente nessa próxima quarta (16 de julho), pois vamos participar do programa Astros, no SBT!

O Astros vai ao ar às 8h da noite. Vamos encontrar com as feras: Arnaldo Saccomani, Cyz, Thomas Roth e Miranda, e queremos vocês ligados com a gente!

O desenho que tá ilustrando esse post foi inspirado nesse novo desafio. Nós estamos torcendo pra que seja apenas o primeiro esboço de uma novíssima história!

Então tá todo mundo convocado! O que queremos é que esse NOVO TRAÇO seja repleto de novas cores. Cada scrap, mensagem, cada pensamento que chega, soma muita força!!! Isso nos emociona e encoraja para seguir em frente!

Um abração e até lá!!!


- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

O link do site oficial do Astros está aqui:

http://www.astrosnosbt.com.br/


e o link pra nossa comunidade no Orkut:

sábado, 15 de setembro de 2007

O EVENTO NO LAGO





Em Boa Esperança, sul de Minas Gerais, existe um lago. E um tradicional festival de música. E nós participamos do festival, e conhecemos o lago, e isso aconteceu na semana passada.

Matemática não

O 37º Festival Nacional da Canção se desenrolou em 4 etapas: a) entrar numa seleção de 75 músicas entre mais de 2000 inscritas; b) participar de uma etapa nacional em uma das 5 cidades mineiras: Poços de Caldas, Formiga, Varginha, Alfenas e Boa Esperança; c) participar da semifinal em Boa Esperança e d) participar da grande final em Boa Esperança.

Vejamos: Cada cidade recebia 12 músicas “estrangeiras” para a etapa nacional; concorremos por São Paulo, mesmo com sotaque, pois valia o endereço da postagem. Com mais 3 escolhidas na noite anterior à etapa nacional daquela cidade, formavam as 15 da semi-semi-final; cada cidade mandando 3 formavam novamente o número de 15 para a semifinal de Boa Esperança, e, desses 15, 10 iam pra final.

Recapitulando, de + de 2000 pré-selecionavam 75, que foram divididos em 5 grupos de 15 – um por cidade; saíam 3 por cidade, sendo que cada cidade tinha antes da etapa nacional sua etapa local. Nas etapas de cada cidade, 3 das 15 locais eram promovidas para a fase nacional e então, tinham a possibilidade de ir para a semifinal, caso ficassem entre os 3 de 15 da fase nacional daquela cidade, que acontecia na noite seguinte. Ok, eu também não entendi de primeira. Mas foi tudo certinho, sô!

Não complica, tchê!

Nossa primeira tocata foi em Poços de Caldas, onde conquistamos o primeiro lugar. A música era Mira. Em segundo lugar, ficou a música Esperança, interpretada pela cantora mineira Márcia Tauil.

Atravessamos todas as etapas e chegamos até a final, obtendo o segundo lugar no festival. Em primeiro, foi a Márcia. Numa interpretação de arrepiar, diga-se de passagem. No final, conhecemos uma turma muito legal, com a qual ficamos conversando até altas horas sentados num XIS: Samuel, Eduardo, Simone e Leanderson.

Foi um prêmio importante para nós. Na tarde que precedeu a grande final, em Boa Esperança, aconteceu o Evento no Lago.

Nem falei de Jundiaí

Ao mesmo tempo, participamos de outro festival nacional no interior de São Paulo, Jundiaí. Foi muito bom, passamos pra grande final lá também, mas as datas coincidiam. Tivemos que optar e acabamos ficando em Boa Esperança, mas essa história contaremos depois.


O fio da meada

Descansando das quantas viagens que fizemos para chegar até a pacata cidade mineira, deixamos o hotel, comandado pela dona Zezé, para passear. Descobrimos um lago muito bonito e ameaçamos uma volta de pedalinho. Ao chegar no lago, tiramos uma foto, que ilustra essa carta. No fundo da imagem, o lago. Mais ali, uns caras tocando violão, uns bebuns com seus cães, e uns pedaços de melancia.

Sentamos numa sombra e conversávamos sobre os reflexos da luz na água, quando chegou um engraxate e abordou Gustavo, engraxá sapato aí tio. Gustavo reage indeciso – mais pra negativa - e o piá, indignado, engraxá sapato aí tio, pra ajudá, pô! Vinícius cata moedas. A voz forte do piá me fez pensar que tio era tchê como quando um gaudério chama atenção de outro, e com essa chave de estranheza aconteceu o famoso “quê ki eu tô fazendo aqui”, então percebemos que havia começado mais um evento.

Ficamos hipnotizados por uns instantes vendo o perfeccionismo do guri, que pingava suor da testa enquanto fazia o serviço, sério e compenetrado. O sapato do Gustavo, de passear no lago - que era o mesmo do show – estava bastante esgualepado e deu uma boa melhorada com a intervenção.

Os bebuns se espalharam na água e a rodinha de violão, que estava ao fundo, se dissipou por um momento. E como saía Isadora Ribeiro da água, na antiga abertura do fantástico
programa global, um dos mendigos emergiu lentamente olhando pra nós. Haviam guris tocando violão, mas 3 caras são os que participaram conosco do evento.

Um foi esse, que saiu da água. O outro que doravante chamarei “bebum”, visivelmente queimado do sol e embriagado, portava uma garrafa de canha. O último era o do óculos, dono do violão.

O que surgiu da água veio direto, mandou buscar o violão e “toca uma aí que eu te saquei de longe só pela unha”. Perceptivo, não? Não me neguei, peguei o tonante que o moço trouxe e mandamos ver nossa “Ao Encontro da Noite”. O do óculos e o bebum aprochegaram e começou.

A próxima música foi “Nada de mais”. Entre uma e outra, vinham os comentários, observações deles sobre as letras e aquelas profecias que só os “malucos da rua” sabem fazer com perfeição. O bebum tinha no pescoço um escapulário que dizia “anjo da guarda” e, quando falava de Deus, sempre tirava o chapéu. O olhar, lacrimejante e amarelado pela canha, era de cortar o coração. O que saiu da água era o mais malandro e gostava de heavy metal. Mas cantou junto com a gente Canção da América, umas do Beto Guedes e filosofamos sobre o que estava acontecendo com a humanidade, de uma forma simples mas muito instigante. Bem afinado esse cara que veio da água. E arranhava umas do Raul e do Zé Ramalho e tocou uma internacional, acho que era Nirvana.

“Vocês nos deram alegria aqui, e primeiro é Deus!(...)”


A gente fazendo altos vocaizinhos e caprichando nos acordes e eles não se acanhavam não... cantavam junto e tocavam trechinhos de músicas como “nô,uômâ no crai....” sem nos considerarem mais ou menos que eles. Cada um com seu timbre e expressão peculiar dava o seu recado. O bebum não cantava, e cada vez que um dos dois interrompia a música para comentar algo ele chiiii pedia silêncio e só baixava a guarda quando as frases completavam seu sentido. O de óculos não era de rua e não bebia, mas estava com eles como se fosse da turma (o negócio dele era a melancia e a parceria pra viola).

Esse do óculos... bem, no primeiro instante imaginei que tivesse algum problema, sei lá.. ele se embananava com as palavras, mas o que falava era de fundamento.. como se fosse uma TV mal sintonizada, passando um programa legal! Das muitas que ele disse, ficou essa: “.. Deus não quer que a gente fale, quer que a gente faça.. inclusive eu acho.. opa, já estou falando demais..”

O interessante desses caras que vivem na rua é que eles realmente não servem para nada no mundo governado pelo capitalismo: são lixo, escória, problema, perigo, vergonha, fedor. Seu destino é vagar até encontrar uma prisão, sanatório ou cemitério.. e, enquanto isso, seguem suas existências como pedaços de carne “sujando” a imagem falseada que temos de uma sociedade “democrática” que busca “justiça”, “igualdade” e “soluções para o mundo”.

Esses párias, esses sem nome da beira do lago, nos abençoaram com uma autoridade estranhíssima. Olhavam para o céu, removiam seus bonés, tocavam em nós e profetizavam muitas coisas. Oraram com grande fé por nós, emocionados, e nos emocionaram com suas palavras. No final, levaram nossos autógrafos. Algumas pessoas pararam, vi de canto umas tirando fotos. O evento durou mais ou menos o tempo de um show, 1h 20min mais ou menos.

Antes do fim nos dirigimos a um casal de jovens muito atentos que acabaram participando do final do evento do lago: Larissa e André. Foi muito legal conhecê-los ali naquele contexto. Eu não sei se na hora falei alguma bobagem, mas é certo que minha consciência estava ali em um estado totalmente diferente, como que mais ligada. Saímos dali como se diz, sorrindo de olhos arregalados.

Boa Esperança foi demais. Só faltou o pedalinho!

Ei você...

 
overflow-x:hidden;